A sedução nos discursos forenses .

Posted: 5 Março 2012 in Artigos, Filosofia e Hermenêutica

“A maneira pela qual dizemos as coisas, não raro vale mais do que as coisas que dizemos” (Voltaire)

Muitas vezes e em especial no juízo criminal, o conteúdo probatório, assim compreendido as provas técnicas e testemunhais suscitam algum tipo de dúvida. Quase nunca, tais provas serão conclusivas e o desfecho, portanto, fica por conta dos debates entre acusação e defesa, entre promotores e advogados.

Surge neste ínterim, o maior legado do orador forense, o de convencer. Nisso reside o que denominamos de sedução no discurso forense. Isto para delimitarmos o tema, pois que, em todas as áreas em que se aplique a maior de todas as artes, a de bem falar, a sedução será sempre conveniente.

Seduzir não é expor algo para os ouvintes, mas, trazê-los para dentro do raciocínio. Falando-se em raciocínio, o bom discurso ultrapassa a barreira do racional, do lógico, da objetividade. O discurso sedutor é aquele revestido de palavras enigmáticas, coloridas, poéticas, emocionantes. Seduzir ao público, é mais que passar uma mensagem, é fazê-lo visualizar o que se diz, detalhando certos elementos tidos aparentemente como irrelevantes.

Por exemplo, ao ser interrogado acerca da importância do Contraditório, alguém muito objetivo e racional responderia: “o contraditório é o direito de responder. Responder no sentido de defender-se, por isso, não deve ser ignorado”. Não foi este o discurso de Vieira, o egrégio pregador jesuíta, com alma de criminalista, que em carta à nobreza de Portugal, exprimiu-se por este feito:
“É cousa tão natural o responder, que até os penhascos duros respondem e para vozes têm ecos. Pelo contraditório, é tão grande violência não responder; que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem responder, rebentariam de dor” (Cartas, 1971, t. III, p. 680.)

O discurso sedutor, porém, não consiste em abusar da prolixidade, nem tampouco, fazer um grande teatro. É se utilizar moderadamente de palavras boas, elegantes e persuasivas. É exprimir confiança e segurança. É munir-se da verdade subjetiva, pois, quantas verdades pode haver?!

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