PLATÃO E DESCARTES

 Racionalistas – a razão só por si é fonte de conhecimento (ideias inatas[.1] ), ou melhor, é a verdadeira fonte do conhecimento.

 A ciência (a Filosofia) – partindo de conhecimentos puramente racionais (ideias inatas) e desenvolvendo deduções rigorosas (demonstração), atinge a Verdade (absoluta).

 Nova Retórica – o que está em causa é o modelo da racionalidade.

MODELO DE RACIONALIDADE DOS DEFENSORES DA NOVA RETÓRICA

 Concepção “alargada” de Razão – a actividade racional não se reduz ao rigor lógico da demonstração. A actividade racional tem uma dimensão prática que permite fundamentar com “razoabilidade” as nossas preferências.

 Para mostrar (ganhar a adesão do auditório) a razoabilidade das nossas escolhas, é preciso ARGUMENTAR à 3ª via = a via do razoável.

 Tradicionalmente, a Lógica reduziu-se à Lógica Formal à à demonstração.

 Perelman vai criticar esta redução. A Lógica não se reduz à Lógica Formal, os argumentos racionais não se restringem ao domínio da demonstração.

Necessidade de criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da Argumentação (Nova Retórica).

 

Esta Teoria da Argumentação é uma Lógica do Preferível.

 

Traço fundamental que distingue a Teoria da Argumentação da Lógica Formal – a questão da adesão do auditório.

“Todo o discurso que não aspira a uma realidade impessoal depende da Retórica” à Sempre que um discurso visa uma adesão pessoal, está em campo uma actividade retórica.

O DISCURSO ARGUMENTATIVO

 – REGRAS GERAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM ARGUMENTO

– Faça distinção entre premissas e conclusão.
– Apresente as suas ideias pela ordem que revele mais naturalmente o seu raciocínio ao leitor.
– Parta de premissas fidedignas.
– Use uma linguagem precisa, específica e concreta.
– Evite a linguagem tendenciosa.
– Use termos consistentes.
– Limite-se a um sentido para cada termo.

 

– PRINCIPAIS TIPOS DE ARGUMENTO

– Argumentos com base em exemplos:
– Use mais do que um argumento.
– Escolha exemplos representativos.
– Forneça informação de fundo relevante para a avaliação dos exemplos.
– Verifique se existem contra-exemplos.

– Argumentos por analogia:
– Um só caso pode ser suficiente.
– O exemplo tem que ser semelhante num aspecto relevante.

– Argumentos de autoridade:
– As fontes devem ser citadas.
– As fontes devem ser qualificadas.
– As fontes devem ser imparciais.
– As fontes devem ser comparadas.
– (Ataques pessoais não desqualificam uma fonte).

– Argumentos sobre causas:
– Mostrar que a conclusão sugere a causa mais provável.
– Mostrar que a correlação dos factos não é uma mera coincidência.
– Mostrar a complexidade das causas.

– Argumentos dedutivos:
– Silogismos Categóricos, Hipotéticos (Modus Ponens e Modus Tollens) e Disjuntivos
-Redução ao absurdo.
– Sequência de argumentos dedutivos (ou argumentos dedutivos em vários passos)

 

– ESTRUTURA DE UM ENSAIO ARGUMENTATIVO

– Introdução
– Explicação da questão.
– Delimitação e unidade do tema.
– Subdivisão do tema (se for possível e útil).
– Apresentação de uma proposta precisa de trabalho.
– Desenvolvimento.
– Apresentação dos argumentos um por um.
– Desenvolvimento completo dos argumentos.
– Consideração de objecções possíveis.
– Refutação ou confronto das objecções com argumentos.
– Consideração de alternativas.
– Conclusão
– Síntese dos resultados a que se chegou (não afirme mais do que mostrou)

 

O discurso argumentativo como “lugar” da liberdade. Ética do discurso argumentativo à o recurso à racionalidade.

 

Bom uso da retórica implica a subordinação a princípios éticos:
– Princípio ético, por excelência, o reconhecimento da autonomia, da capacidade de escolha do auditório.
– Esclarecimento da situação, das várias alternativas e dos seus pressupostos e consequências.
– Exige liberdade de expressão do pensamento.

 

Mau uso da retórica – a argumentação degenera numa forma de ludibriar o auditório, em função dos interesses dos interesses do orador.

Manipulação – uso indevido da argumentação com o intuito de levar os interlocutores a aderir acrítica e involuntariamente às propostas do orador.

 

PROVA LÓGICA

PROVA RETÓRICA

► demonstração ► justificação
► imposição de uma certeza (constringente) ► obtenção de adesão
► impessoalidade ► pessoalidade
► an-histórica ► situada
► abstracta ► concreta
► rigorosa ► plausível
► diz respeito a estruturas formais ► reporta-se a convicções
► infalível ► falível
► não apela à decisão ► apela à decisão

 


 [.1]ideias inatas – não foram adquiridas através da experiência sensível, mas puramente racionais.

 

 

Fonte/Autor: desconhecido.

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